Carimbo de saída da Migración Colombia no aeroporto de Bogotá (BOG), datado de 26 de dezembro de 2021, numa página de passaporte

Documentos para viajar para a Colômbia: RG ou passaporte, Check-Mig e vacina

Para turismo, o brasileiro não precisa de visto para a Colômbia e pode entrar tanto com passaporte quanto com a carteira de identidade. A parte simples termina aí. Quem tem problema costuma tropeçar em detalhes que não aparecem na pergunta “precisa de passaporte?”: um RG emitido há muitos anos, uma conexão no Panamá, uma criança viajando só com a mãe ou uma companhia aérea que pede o certificado de febre amarela no balcão de São Paulo, mesmo que a Colômbia não exija mais esse papel para quem sai do Brasil.

Este guia reúne o que os órgãos oficiais dos dois países dizem sobre cada um desses pontos. As regras e valores foram verificados em outubro/2026; como normas migratórias mudam sem muito aviso, vale conferir os links oficiais na semana do embarque.

RG ou passaporte: o que vale na imigração

A página da Embaixada do Brasil em Bogotá lista os dois documentos aceitos para brasileiros a turismo: passaporte válido ou carteira de identidade, desde que “em perfeito estado de conservação” e com foto que permita identificar o titular sem dúvida. A Colômbia, que integra a Comunidade Andina e é Estado associado do Mercosul, aceita a identidade dos países do bloco por causa dos acordos entre os dois grupos.

Alguns cuidados práticos com o RG:

  • Documento com mais de 10 anos: a identidade brasileira não tem prazo de validade legal, mas a embaixada recomenda levar o passaporte quando o RG foi expedido há mais de uma década. A Polícia Federal faz o mesmo alerta e lembra que companhias aéreas podem recusar identidades antigas no embarque.
  • Carteiras profissionais e CNH não servem: OAB, CREA, CRM, identidade funcional e carteira de motorista não substituem o RG como documento de viagem. Certidão de nascimento também não.
  • Carteira de Identidade Nacional (CIN): o governo federal informa que a nova identidade tem a mesma zona de leitura mecânica dos passaportes e pode ser usada nos países com os quais o Brasil tem acordo de viagem. Leve o cartão físico; não conte com a versão no aplicativo para passar pela imigração.
  • Plástico rachado, foto de criança, dados apagados: qualquer um desses problemas é motivo para deixar o RG em casa e ir de passaporte.

Há ainda uma situação em que o RG simplesmente não resolve: a conexão fora da região. A embaixada é direta nesse ponto: se a escala ou conexão for num país fora do Mercosul e associados (Argentina, Bolívia, Chile, Equador, Paraguai, Peru e Uruguai), o passaporte é indispensável e pode ser preciso conferir a exigência de visto de trânsito. Isso pega muita gente que compra a passagem mais barata para Bogotá ou Cartagena com conexão na Cidade do Panamá, por exemplo. Antes de decidir com qual documento viajar, olhe o itinerário completo, inclusive a volta.

Se precisar tirar o passaporte, a taxa da Polícia Federal é de R$ 257,25 (verificado em outubro/2026, na página oficial do serviço no gov.br), e o prazo de entrega informado no atendimento costuma ficar entre 6 e 10 dias úteis depois da coleta de biometria. Em alta temporada, a agenda dos postos pode demorar mais do que a própria emissão, então não deixe para a última semana.

O que o agente da Migración Colombia pode pedir

Na chegada, quem faz o controle é a Migración Colombia. Na página de requisitos de entrada e saída, o órgão explica que o documento de viagem (no caso dos brasileiros, passaporte ou identidade do Mercosul) deve vir acompanhado de passagem de saída do país e de demonstração de solvência econômica, conforme o caso. Numa resposta oficial publicada em maio de 2026, a Migración detalha também a reserva de hospedagem ou carta-convite com endereço e telefone de onde o visitante vai ficar.

Na prática, nem todo viajante é questionado, mas convém ter à mão, no celular e de preferência também impresso:

  • a passagem de volta ao Brasil ou de saída para outro país;
  • a reserva do primeiro hotel ou o endereço completo de quem vai hospedar você (se for casa de amigos, a carta-convite assinada, com documento e telefone do anfitrião);
  • algum meio de comprovar que você consegue se manter durante a viagem, como cartão de crédito internacional ou extrato.

A própria embaixada brasileira lembra que as autoridades colombianas têm soberania para pedir documentos adicionais. A carta-convite não precisa de reconhecimento de firma, segundo a Migración, mas precisa estar assinada.

Quanto tempo o turista pode ficar

O brasileiro a turismo recebe uma permissão de até 90 dias, que pode ser prorrogada por mais 90 dentro da Colômbia, a critério da imigração. O limite é de 180 dias por ano-calendário. Trabalho, estudo, estágio, voluntariado ou atividade religiosa pedem visto específico, solicitado aos consulados colombianos, e aí o RG deixa de ser suficiente.

Check-Mig: o formulário on-line antes do voo

O Check-Mig é o pré-registro migratório da Colômbia. Você informa dados do documento, número do voo, motivo da viagem e onde vai se hospedar, e recebe uma confirmação por e-mail para mostrar no controle, se for pedida. Ele é gratuito e deve ser preenchido entre 72 horas e 1 hora antes do voo, tanto na ida quanto na saída do país.

Existe uma diferença de tom entre as fontes oficiais: a Migración Colombia descreve o Check-Mig como opcional e recomendado, enquanto a embaixada brasileira diz que todos os viajantes internacionais devem fazê-lo. Na dúvida, preencha. Leva poucos minutos e evita discussão no balcão da companhia aérea, que às vezes trata o comprovante como obrigatório.

Três detalhes que vale saber antes de abrir o formulário:

  1. Não dá para editar depois de enviar. Se errar o número do documento ou do voo, será preciso fazer um registro novo. Confira tudo antes de clicar.
  2. Use o mesmo documento da viagem. Se vai entrar com RG, cadastre o RG; se vai com passaporte, o passaporte. Na saída, a Colômbia exige que você apresente o mesmo documento usado na entrada.
  3. Não pague por isso. Sites que cobram para “processar” o Check-Mig não são oficiais. O preenchimento é feito no portal da Migración Colombia, sem custo.

Febre amarela: a Colômbia não exige, mas há duas exceções práticas

Até 2024, a Colômbia pedia o certificado internacional de vacinação contra febre amarela a quem chegava do Brasil. A Circular Externa 018 de 2024 do Ministério da Saúde colombiano retirou essa exigência para viajantes procedentes do Brasil, e a Circular 012 de 2025 manteve a exceção. A embaixada brasileira confirmou com os agentes do aeroporto El Dorado que o documento não é mais cobrado na imigração.

Mesmo assim, há dois motivos para levar o certificado:

  • Embarque no Brasil. A embaixada registra relatos de passageiros barrados por companhias aéreas em aeroportos brasileiros, por desconhecimento da regra atual. Ter o certificado em mãos encerra a discussão.
  • Parques nacionais e áreas de risco. Para entrar nas áreas protegidas do sistema de parques nacionais colombiano, a vacina aplicada há pelo menos 10 dias é exigida. Quem vai ao Parque Tayrona, por exemplo, precisa apresentar o comprovante na entrada. Municípios classificados como de risco “muito alto” também podem ter controle sanitário na entrada e na saída.

A vacina é dose única e vale para a vida toda; a proteção começa 10 dias depois da aplicação. Quem já tomou no Brasil pode emitir o Certificado Internacional de Vacinação ou Profilaxia (CIVP) de graça, primeiro tentando pelo aplicativo Meu SUS Digital e, se não aparecer lá, pelo serviço da Anvisa no gov.br, enviando foto da carteirinha com nome, data, lote da vacina, assinatura do profissional e carimbo do posto. A análise leva de 1 a 5 dias úteis, e o arquivo fica disponível para reimprimir. O serviço também atende crianças a partir de 9 meses, com o pedido feito por um adulto com conta gov.br. A vacina tem contraindicações (gestantes, imunossuprimidos e algumas faixas de idade exigem avaliação), então quem nunca tomou deve conversar com um médico antes.

Viagem com crianças e adolescentes

Aqui as regras vêm do lado brasileiro. Pela Resolução 131/2011 do Conselho Nacional de Justiça, menores de 18 anos que saem do Brasil precisam de autorização escrita sempre que viajarem desacompanhados, com só um dos pais ou com outros adultos. Com pai e mãe juntos, ela é dispensada.

  • Use o formulário padrão do CNJ, com firma reconhecida em cartório (por autenticidade ou semelhança).
  • Leve duas vias originais: uma fica retida com a Polícia Federal no embarque.
  • Se não houver data de validade escrita, a autorização vale por dois anos.
  • No pedido de passaporte, os pais podem pedir que a autorização seja impressa no próprio documento da criança; nesse caso, ela dispensa o papel avulso enquanto o passaporte for válido. Isso não funciona para quem viaja com RG.

A criança também precisa de documento de viagem próprio: RG em bom estado ou passaporte. Certidão de nascimento não é aceita.

E na saída da Colômbia? A Migración Colombia só exige permissão de saída de pais para menores colombianos, estrangeiros com visto de residente e venezuelanos com PPT. Crianças brasileiras em viagem de turismo, sem residência no país, não entram nessa regra; basta apresentar o mesmo documento usado na chegada.

Dinheiro em espécie e o que declarar na alfândega

A alfândega colombiana (DIAN) exige que o viajante preencha a declaração de viajantes, o Formulário 530, quando entra ou sai com mais de US$ 10.000 em espécie (ou o equivalente em outras moedas, incluindo pesos colombianos e títulos que representem dinheiro). O mesmo formulário vale para quem traz plantas, alimentos de origem animal ou vegetal regulados e animais de estimação. Para uma viagem comum, com cartão e algum dinheiro para trocar, a declaração não se aplica. Se quiser planejar quanto levar, o guia de quanto custa viajar para a Colômbia tem valores de hospedagem, transporte e ingressos em reais.

Seguro viagem, carteira de motorista e cópias

Seguro de saúde não é requisito de entrada, mas a embaixada brasileira recomenda “enfaticamente” contratar um, porque o turista não tem acesso a um sistema público de saúde como o SUS. Para trilhas e parques, existe ainda o seguro de acidentes cobrado pelo órgão de parques, que é separado do seguro viagem.

A CNH brasileira vale para dirigir na Colômbia durante o período de permanência autorizado na entrada. Ela só não serve como documento de identificação na imigração.

Por fim, o conselho mais simples da lista oficial: deixe cópia digital do passaporte ou do RG com alguém no Brasil e guarde outra no seu e-mail. Se o documento for perdido ou roubado, o setor consular em Bogotá emite um novo com muito mais facilidade quando existe cópia. Durante os passeios, a embaixada sugere deixar o original guardado em local seguro e circular com a cópia.

Checklist rápido antes de embarcar

Item É exigido? Observação
Passaporte válido ou RG/CIN em bom estado Sim, um dos dois Passaporte se o RG tiver mais de 10 anos ou se houver conexão fora do Mercosul e associados
Passagem de saída da Colômbia Pode ser pedida Ida e volta ou continuação para outro país
Reserva de hospedagem ou carta-convite Pode ser pedida Com endereço e telefone; carta assinada pelo anfitrião
Check-Mig Recomendado (a embaixada pede a todos) Gratuito, de 72 h a 1 h antes do voo, na ida e na volta
Certificado de febre amarela (CIVP) Não para quem sai do Brasil Exigido em parques nacionais; evita problema no check-in
Autorização de viagem para menor Sim, se não viajar com pai e mãe Formulário do CNJ, duas vias, firma reconhecida
Formulário 530 da DIAN Só acima de US$ 10.000 em espécie Também para plantas, alimentos regulados e pets
Seguro viagem Não Recomendado pela embaixada; parques exigem seguro de acidentes à parte

Com os documentos resolvidos, o próximo passo é montar o trajeto. O roteiro de 10 dias pela Colômbia mostra como encaixar Bogotá, o Eixo Cafeteiro, Medellín e Cartagena numa mesma viagem.

Imagem destacada: “Colombia exit stamp 2021”, por Lapeno, via Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 4.0.

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