Corredor do mercado de Paloquemao, em Bogotá, com bancas de frutas, verduras e legumes

Quanto custa viajar para a Colômbia: câmbio, hospedagem, transporte e ingressos

A Colômbia costuma sair mais barata do que o brasileiro imagina, mas não em todos os itens. Comida do dia a dia, ônibus e metrô pesam pouco no bolso. Já as passagens aéreas, a hospedagem em Cartagena na alta temporada e algumas atrações com tarifa diferenciada para estrangeiros podem surpreender. Este guia separa o orçamento por categoria, mostra os preços oficiais das atrações mais visitadas e termina com uma estimativa por dia e para uma viagem de 10 dias.

Todos os valores em pesos colombianos (COP) foram verificados em outubro/2026. As conversões para reais usam a referência de cerca de COP 630 por R$ 1 e servem só para dar ordem de grandeza.

Moeda e câmbio: como fazer a conta

A moeda é o peso colombiano. O número de referência do país é a TRM (taxa representativa do mercado), calculada diariamente e publicada pelo Banco de la República. Para 23 de outubro de 2026, a TRM era de COP 3.185,01 por dólar. Cruzando com o dólar a pouco mais de R$ 5,00 na cotação do Banco Central do Brasil da mesma semana, chega-se a algo perto de 630 pesos por real.

Atalho para a conta de cabeça: corte os três zeros finais e multiplique por 1,6. COP 20.000 dá cerca de R$ 32.

Sobre a forma de pagamento, três pontos mexem no custo final:

  • IOF: em 2026, o IOF é de 3,5% tanto nas compras com cartão no exterior quanto na compra de moeda em espécie no Brasil. Ele entra em qualquer estratégia, então compare o câmbio oferecido, não só a tarifa.
  • Peso no Brasil é difícil: poucas casas de câmbio brasileiras trabalham com peso colombiano, e a cotação costuma ser ruim. A saída mais comum é levar dólares ou usar cartão de débito internacional/conta global para sacar pesos em caixas eletrônicos na Colômbia, verificando antes a tarifa cobrada pelo seu banco e pela rede do caixa.
  • Dinheiro vivo ainda é necessário: hotéis, restaurantes e lojas maiores aceitam cartão, mas jipes, barracas, táxis de rua, porteiras de trilhas e ônibus urbanos costumam ser pagos em espécie.

Voos do Brasil para a Colômbia

A passagem internacional é, de longe, o maior item do orçamento, e o que mais varia. A principal porta de entrada é Bogotá, que recebe voos sem escala a partir de São Paulo (Guarulhos), operados por companhias como Avianca e LATAM. A viagem dura em torno de seis horas. Para Medellín, Cartagena ou outras cidades, o normal é conectar em Bogotá ou em outro hub da região.

O preço depende da data, da antecedência e da bagagem, então não há valor fixo de referência. O que costuma ajudar:

  • viajar fora de dezembro, janeiro, julho e Semana Santa, que são alta temporada tanto para brasileiros quanto para colombianos (o calendário completo está no guia sobre a melhor época para ir à Colômbia);
  • conferir se a tarifa inclui mala despachada antes de comparar preços entre companhias.

As taxas aeroportuárias normalmente já vêm embutidas no valor da passagem; vale abrir o detalhamento da tarifa antes de pagar para ver o total.

Entrada no país: o que é de graça e o que não é

Brasileiros entram sem visto, com passaporte ou carteira de identidade emitida há menos de 10 anos, segundo a Polícia Federal. Não há taxa de entrada.

O formulário Check-MIG, da Migración Colombia, é gratuito e pode ser preenchido entre 72 horas e uma hora antes do voo. A própria Migración descreve o serviço como de uso não obrigatório, criado para agilizar o controle migratório.

Já a tarjeta de turismo de San Andrés é cobrada de todos os visitantes não residentes, inclusive colombianos. Em 2026 ela custa COP 153.000 (cerca de R$ 243), valor fixado pelo Decreto 0010 de 8 de janeiro de 2026 da governação do arquipélago, e é paga antes do embarque, normalmente no balcão da companhia aérea. Menores de 7 anos são isentos.

Hospedagem

Bogotá, Medellín e Salento têm oferta grande e preços moderados. Cartagena, sobretudo dentro da Cidade Amuralhada, e San Andrés são bem mais caras, principalmente entre meados de dezembro e janeiro.

Não existe tabela oficial de preços de hospedagem. As faixas abaixo são aproximadas, para baixa temporada, e servem como ponto de partida; o valor real só aparece na plataforma de reserva para a sua data.

Tipo de hospedagem Faixa aproximada por noite (COP) Em reais (aprox.)
Cama em quarto compartilhado (hostel) 45.000 a 90.000 por pessoa R$ 70 a R$ 145
Quarto privativo simples (hostel ou pousada) 120.000 a 220.000 por quarto R$ 190 a R$ 350
Hotel intermediário, quarto duplo 200.000 a 450.000 por quarto R$ 320 a R$ 715
Hotel boutique no centro histórico de Cartagena a partir de 600.000 por quarto a partir de R$ 950

Um detalhe tributário que pouca gente conhece: hotéis inscritos no Registro Nacional de Turismo podem faturar a hospedagem com IVA a 0% para hóspedes residentes no exterior, desde que essa condição seja comprovada com o documento de viagem e o registro de entrada no país, conforme a interpretação da DIAN, a receita federal colombiana. A alíquota geral do IVA é de 19%, então a diferença é grande. Se a reserva mostrar “IVA incluído”, pergunte ao hotel. Em aluguéis por temporada e em hospedagens não registradas, o benefício normalmente não se aplica.

Transporte interno

Entre cidades

Avião para os trechos longos, ônibus para os curtos: essa é a regra que mais economiza tempo. Nas companhias low-cost, a tarifa básica inclui só um item pessoal pequeno, e a mala de mão ou despachada muda bastante a conta. Algumas passagens de ônibus de referência, publicadas pelas empresas ou em buscadores de passagens em outubro/2026:

Trecho de ônibus Tempo aproximado Preço (COP) Em reais (aprox.)
Bogotá – Medellín cerca de 10h a partir de 105.000 R$ 166
Medellín – Salento 6h a 8h 78.000 R$ 123
Armenia – Salento cerca de 1h10 8.000 R$ 13
Cartagena – Santa Marta cerca de 5h a partir de 100.000 R$ 158

Terminais, empresas e quando o voo compensa estão explicados em detalhe no guia de como se locomover entre as cidades da Colômbia.

Dentro das cidades

O transporte público é barato. Em Bogotá, a passagem do TransMilenio custa COP 3.550 (cerca de R$ 5,60) em qualquer horário, e o cartão tullave sai por COP 8.000, segundo a tabela oficial do sistema. Em Medellín, a viagem no metrô com cartão Cívica eventual custa COP 4.400 (perto de R$ 7), e o próprio cartão, COP 12.100. O ônibus da Combuses entre o aeroporto José María Córdova e a cidade aparece na tabela do Metro de Medellín por COP 20.000 (cerca de R$ 32).

Táxis e aplicativos funcionam nas grandes cidades, com preço que varia conforme trânsito e horário. Em Cartagena, onde muitos táxis não usam taxímetro, combine o valor antes de entrar.

Alimentação

O “corrientazo” ou “menú del día” (sopa, prato com arroz, feijão ou lentilha, banana frita, salada, proteína e suco) é a refeição mais barata de qualquer cidade. Levantamentos da imprensa econômica colombiana com base em preços de 2026 colocam a média nacional desse almoço perto de COP 19.000 (cerca de R$ 30). Em Bogotá, a faixa mais comum vai de COP 14.000 a COP 18.000 em bairros residenciais e passa de COP 25.000 em zonas comerciais.

À noite e nas áreas turísticas, como El Poblado, em Medellín, ou o centro amuralhado de Cartagena, a conta sobe bastante. Uma referência para planejar:

  • Econômico (padaria ou arepa no café da manhã, corrientazo no almoço, jantar simples): cerca de COP 50.000 a 70.000 por dia (R$ 80 a R$ 110);
  • Intermediário (um almoço simples e um jantar em restaurante com serviço de mesa): cerca de COP 100.000 a 150.000 por dia (R$ 160 a R$ 240).

Essas faixas são aproximadas. Repare também que muitos restaurantes incluem na conta uma “propina voluntaria” de 10%. Como o nome diz, é opcional: o garçom deve perguntar se você aceita incluí-la.

Ingressos das atrações mais visitadas

Várias atrações colombianas cobram tarifa diferente para estrangeiros, o que faz a conta subir mais do que se espera. Os valores abaixo são os das tabelas oficiais de cada atração, verificados em outubro/2026:

Atração Preço para estrangeiro (COP) Em reais (aprox.) Observação
Catedral de Sal de Zipaquirá (plano Basic) 125.000 R$ 198 Planos Standard e Premium custam 136.000 e 164.000
Monserrate, funicular ou teleférico (ida e volta) 35.000 (seg. a sáb. e feriados); 21.000 (domingo) R$ 56 / R$ 33 Mesmo preço para colombianos e estrangeiros
Museo del Oro, Bogotá 21.000 R$ 33 Grátis aos domingos; fecha às segundas
Castillo de San Felipe, Cartagena 38.000 R$ 60 Tarifa reajustada todo janeiro
Parque Tayrona 81.000 (baixa) / 96.500 (alta) R$ 129 / R$ 153 Mais o seguro obrigatório de acidentes
Valle de Cocora (jipe ida e volta + trilha) cerca de 32.000 a 53.000 R$ 50 a R$ 85 Cobranças separadas, em dinheiro

Os detalhes de cada uma estão nas fontes oficiais: a página de tarifas da Catedral de Sal e a tabela de horários e tarifas de Monserrate. Dois avisos para quem vai agora: até 30 de outubro de 2026, a subida a Monserrate funciona só pelo funicular, sem o teleférico; e o Museo del Oro informou fechamentos intermitentes das salas permanentes até 6 de novembro de 2026, por obras de renovação. O Tayrona também está fechado até 2 de novembro de 2026, numa das três pausas anuais do parque, explicadas no guia do Parque Tayrona.

Quem vai fazer o passeio a Zipaquirá a partir de Bogotá encontra transporte, horários e o que cada plano inclui no guia do bate e volta à Catedral de Sal. Passeios de barco às Islas del Rosario e tours de café são vendidos por operadores privados, com preços muito variados.

Exemplo de orçamento por dia

Somando hospedagem, comida e transporte urbano (sem passagens e ingressos), chega-se a duas estimativas por pessoa, construídas com as faixas acima:

Item por pessoa, por dia Econômico (COP) Intermediário (COP)
Hospedagem 60.000 (cama em hostel) 150.000 (metade de um quarto duplo em hotel)
Alimentação 60.000 120.000
Transporte dentro da cidade 15.000 40.000 (com táxis ou aplicativo)
Total por dia cerca de 135.000 (≈ R$ 215) cerca de 310.000 (≈ R$ 490)

Em Cartagena e San Andrés, especialmente na alta temporada, some uma margem de 30% a 50% à hospedagem. Em Salento e cidades pequenas do Eixo Cafeteiro, a média tende a ficar abaixo.

Quanto custa uma viagem de 10 dias

Tomando como base o roteiro de 10 dias pela Colômbia, com Bogotá, Eixo Cafeteiro, Medellín e Cartagena, a conta fica assim, por pessoa:

  • Gastos diários (10 dias): cerca de COP 1.350.000 no perfil econômico (≈ R$ 2.140) ou COP 3.100.000 no intermediário (≈ R$ 4.920);
  • Ingressos principais (Monserrate, Museo del Oro, Catedral de Sal, Cocora com jipe e trilha, Castillo de San Felipe): cerca de COP 272.000 (≈ R$ 430);
  • Subtotal em solo: perto de R$ 2.570 no econômico e R$ 5.350 no intermediário;
  • Fora dessa conta: a passagem Brasil–Colômbia, os voos domésticos (o roteiro usa dois ou três), passeios privados como o de barco às ilhas, seguro viagem e compras.

Os voos podem igualar ou superar o gasto em solo, por isso pesquise essas tarifas primeiro. Para reduzir o total, viaje fora da alta temporada colombiana e troque trechos curtos de avião por ônibus.

Para não estourar o orçamento

  • Visite o Museo del Oro num domingo, quando a entrada é gratuita para todos (e chegue cedo, porque lota).
  • Suba Monserrate no domingo, quando a ida e volta custa COP 21.000 em vez de 35.000.
  • Recuse a conversão para reais na maquininha (a chamada conversão dinâmica) e pague em pesos.

Preços, tarifas e regras verificados em outubro/2026 nas páginas oficiais citadas. Valores de hospedagem e alimentação são faixas aproximadas e podem mudar conforme a cidade e a temporada.

Imagem destacada: “Market in Bogotá”, por Mussi Katz, via Wikimedia Commons, CC0 1.0 (domínio público).

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